TC Sertão de São Francisco (BA)

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O Território da Cidadania (TC) Sertão do São Francisco II (BA) cobre uma extensa área, de 61.750,70 Km², envolvendo 10 municípios baianos: Uauá, Campo Alegre de Lourdes, Canudos, Casa Nova, Curaçá, Juazeiro, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho. A população total é de 494.624 habitantes (IBGE/2010), dos quais 178.664 vivem na área rural, o que corresponde a 36,12% do total.

Situado no Bioma Caatinga, o Território foi identificado como área de importância extremamente alta/muito alta para a conservação e uso sustentável da biodiversidade. Tem 20% da sua área coberta por unidades de conservação, que contribuem para a proteção de vastas áreas remanescentes de caatinga, sobreviventes do intenso desmatamento que assola a região há muitos anos, em virtude da prática de monoculturas e pecuária extensiva.

Comunidades

No Território há uma grande diversidade de comunidades, formadas por povos indígenas, remanescentes de quilombolas e comunidades fundo de pasto. A grande maioria é de agricultores familiares, que também praticam o extrativismo, e mantém pequenas criações de ovinos e caprinos, principalmente. Aquelas que vivem mais próximas às margens do rio São Francisco também praticam a pesca artesanal.

Essas comunidades desenvolveram ao longo dos anos, técnicas de convivência com o semiárido, marcado por longos períodos sem chuvas. Essas práticas se configuram no uso e manejo tradicional da caatinga, diversas formas de armazenamento de água, além de conhecimentos relacionados à fauna e flora que ajudam no incremento alimentar, sobretudo nos períodos mais secos do ano.

É o caso das comunidades de Fundo de Pasto, que sobrevivem a partir da conservação de vastas áreas de caatinga nativa. Essas áreas são usadas para fins diversos, como por exemplo para a extração de produtos para fins medicinal e alimentício, e que são manejadas para a criação coletiva e sustentável de cabras e ovelhas, que não sobrecarregam os recursos naturais.

As plantas do Território Sertão de São Francisco

O Bem Diverso elencou três espécies de plantas nativas para desenvolver ações de boas práticas de extrativismo sustentável: umbu, maracujá-da-caatinga ou maracujá do azedo e licuri. Todas elas são muito importantes para as comunidades rurais, pois representam a base da economia familiar por meio da comercialização, além de serem importantes itens na dieta dos sertanejos. Essas frutas são processadas em agroindústrias comunitárias ligadas às cooperativas locais de agricultores. O resultado desse trabalho são produtos muito apreciados em várias regiões tais como os cremes, doces, compotas, licores, conservas e polpas de frutos silvestres e até cervejas.

Parcerias

Neste território, o Bem Diverso é coodenado pela Embrapa Semiárido que realiza trabalhos no desenvolvimento de terras semiáridas, desenvolvendo pesquisas em manejo de espécies nativas de Caatinga. A ONG Agendha (Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia), também é parceira do Projeto para desenvolver ações ligadas ao extrativismo sustentável do licuri. Trata-se de uma instituição muito ativa, também presente neste território, com um foco no gênero para promoção da organização e a inclusão produtiva das mulheres.

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Informações:
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  • Estados BA
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