TC Alto Rio Pardo (MG)

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Localizado no norte de Minas Gerais (MG), numa área de transição entre os biomas Cerrado e Caatinga, o Alto Rio Pardo abrange uma região de 16.502,30 Km² envolvendo 15 municípios mineiros: Vargem Grande do Rio Pardo, Curral de Dentro, Fruta de Leite, Indaiabira, Rio Pardo de Minas, Santa Cruz de Salinas, Santo Antônio do Retiro, Berizal, Montezuma, Ninheira, Novorizonte, Rubelita, Salinas, São João do Paraíso e Taiobeiras. Sua população está estimada em cerca de 192 mil habitantes, dos quais 86 mil vivem na área rural.

O que caracteriza a região do Alto Rio Pardo é sua alta biodiversidade, com fauna e flora típica de paisagens do Cerrado e de transição com a Caatinga e a riqueza cultural de suas populações no convívio com seu Território. Apesar dessas riquezas, a região sofre vários tipos de pressões, principalmente devido o uso inadequado dos solos com agricultura irrigada, mineração e monocultura de eucalipto praticadas por grandes fazendas e empresas. Com a substituição da vegetação nativa promovida pelos grandes empreendimentos ao longo dos anos, vieram a degradação dos solos, assoreamento dos rios e o secamento das nascentes e rios que cortam a região. Diante desse cenário, o Bem Diverso vem atuando na região com o propósito de debater essas questões junto aos diferentes atores locais  na busca por soluções para a restauração de suas águas, outrora fartas. Suas atividades estão centradas no incentivo às iniciativas locais de promoção do extrativismo sustentável, do uso de sistemas agroflorestais,  e valorização dos conhecimentos tradicionais associados às práticas de manejo da paisagem e dos agroecossistemas.

Comunidades

O Alto Rio Pardo é lar de uma grande diversidade de comunidades tradicionais que habitam o território há centenas de anos, praticando técnicas tradicionais de manejo e uso sustentável da biodiversidade. Dentre os grupos principais estão os Geraizeiros e os Quilombolas.

Os Geraizeiros habitam os chamados “Gerais”, região de chapadas do Cerrado norte-mineiro que cobre boa parte do Território Alto Rio Pardo. Este grupo tem forte ligação com a terra, manejando-a há séculos no extrativismo de produtos do Cerrado e na criação à solta de animais nas terras comunais das chapadas e suas encostas e no estabelecimento de roças, quintais e currais nas áreas de baixadas onde constroem suas moradas. Essas populações são caracterizadas pela estreita relação de parentesco e colaboração mútua entre seus povoados realizando trocas de plantas e de conhecimentos associados à natureza e a vida geraizeira. Estes ainda mantêm relações históricas de comércio e trocas com os Catingueiros, localizados na baixada São Franciscana, e com as comunidades tradicionais do vale do Jequitinhonha.

Da mesma forma, os Quilombolas do Alto Rio Pardo também se relacionam com os outros grupos. Vivem também do extrativismo e da agricultura familiar. Assim como os Geraizeiros, muitas das comunidades Quilombolas não tem titulação das suas terras e seguem lutando pelo reconhecimento de sua identidade  e de seus territórios para manter vivas suas tradiçõese seus modos de criar, fazer e viver.

Esses grupos de povos tradicionais compartilham entre si diversos dilemas associados ao uso do território. Embora esses povos estejam há séculos na região, os mesmos vêm sendo expulsos de suas terras pela monocultura do eucalipto principalmente,. Há alguns anos esses grupos se organizaram em diferentes movimentos sociais e que lutam pelas suas terras, para assegurar  seus modos vidas e fontes de sobrevivência que vem da biodiversidade local.

As plantas do Território

O Projeto Bem Diverso elencou no Alto Rio Pardo, o pequi, o araticum, o maracujá do mato, o veludo e o coquinho azedo como plantas prioritárias para trabalhar estratégias de boas práticas de extrativismo sustentável e acesso ao mercado. Além de serem alimentos indispensáveis na dieta das comunidades locais ou de uso madeireiro na construção de casas, currais, cercas ou como lenha, são dessas espécies que muitas famílias fazem o complemento de sua renda por meio da comercialização.

Parceiros locais

Para executar as ações, o Bem Diverso conta com parceiros locais de grande experiência em atuação de projetos comunitários socioambientais no Alto Rio Pardo.
 

Sindicato dos Trabalhadores Rurais  de Rio Pardo de Minas

Representa um grande contingente de trabalhadores e trabalhadoras rurais do Território Alto Rio Pardo e desenvolve projetos de melhoria da qualidade de vida das comunidades geraizeiras.
 

Rede Sociotécnica do Alto Rio Pardo

Rede de interação entre organizações de agricultores e comunidades do território do Alto Rio Pardo, representados por sindicatos, associações, instituições de ensino e pesquisa, pastorais e demais parceiros que atuam na região, organizados com o objetivo de somar esforços visando o desenvolvimento tecnológico e aprimoramento da sustentabilidade dos agroecossistemas e no fortalecimento das economias locais.
 

Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM)

Organização da Sociedade Civil com mais de 30 anos de atuação na região do Norte de Minas em projetos socioambientais, de fortalecimento comunitário e de valorização da agroecologia.
 

Escola Família Agrícola Nova Esperança ( EFA-NE)

É uma escola comunitária criada pela união de esforços entre o movimento sindical, articulado com o Território do Alto Rio Pardo e tem parceria com algumas prefeituras, câmeras de vereadores deste território e a Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas – AMEFA. O ensino na EFA-NE se dá de forma alternada, com o estudante passando 15 dias morando e estudando na EFA e os outros 15 dias em sua residencia,  realizando suas atividades do dia a dia, ajudando a família e realizando trabalhos escolares e comunitários.