Extrativistas monitoraram produção de castanhas-do-brasil na Reserva Cazumbá-Iracema

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Para colaborar no monitoramento e coletar dados quanto ao custo da atividade da coleta de castanha-do-brasil, técnicos da Embrapa estiveram na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC), no final de janeiro, e se reuniram com os coletores de castanha.  A ação faz parte do Projeto Bem Diverso, executado pela Embrapa e organismos internacionais.

A coleta de castanha-do-brasil, ou castanha-do-pará, começa agora, em fevereiro, na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC) e a partir desse ano terá um diferencial: os extrativistas estão monitorando a produção dos castanhais.

Para colaborar no monitoramento e coletar dados quanto ao custo da atividade, técnicos da Embrapa estiveram na Reserva Extrativista, no final de janeiro, e se reuniram com os coletores de castanha.  A ação faz parte do Projeto Bem Diverso, executado pela Embrapa e organismos internacionais.

 “Há cerca de dez anos, a Embrapa desenvolve pesquisas sobre a castanha-do-brasil e os resultados auxiliaram a definir determinados aspectos do protocolo para monitoramento da produção de castanha-do-brasil. O encontro foi importante para alinhar esses dados de acordo com a realidade local”, afirma a pesquisadora da Embrapa, Lúcia Wadt.

Segundo o analista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Tiago Juruá Ranzi, os comunitários percebem que, ao longo do tempo, a quantidade de castanhas está diminuindo e que os castanhais estão envelhecendo. “Com o monitoramento, nós vamos tentar trazer mais repostas para a comunidade e entender melhor a razão disso. Os colaboradores da Embrapa tem auxiliado bastante o processo de elaboração e de implementação do protocolo de monitoramento”, afirma.

Certos pontos do protocolo de monitoramento da produção de castanha-do-brasil já foram adotados e os extrativistas notaram os resultados. “Algumas castanheiras tinham cipós e não produziam. Nós fomos orientados a cortar os cipós e tem árvore que já está dando até cinco latas de ouriço”, afirma o presidente do Núcleo de Base Cazumbá, o extrativista Afonso da Silva.

Pesquisas realizadas na Reserva Extrativista Chico Mendes, também no Acre, revelaram que o uso de rotas modeladas, aliado a técnicas de manejo do castanhal, como a retirada de cipós das árvores, pode aumentar em até 27% a produção anual de frutos.

Para Francisco de Souza Carvalho, morador e conselheiro deliberativo da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, outra vantagem do monitoramento é a contribuição que o estudo deixa para as gerações futuras. “A gente viu que é importante cuidar das mudas de castanheiras que encontramos para garantir uma produção para as futuras gerações. Além disso, o mapeamento das árvores vai ajudar os meninos que estão entrando pela primeira vez, vai ser útil para os jovens saberem onde estão as árvores e quais são mais produtivas”, disse.

O acompanhamento da produção de castanha integra o Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia, iniciativa do ICMBio. Na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) irá executar, junto com os moradores, as etapas do protocolo de monitoramento da castanha-do-brasil.

Custo da produção

A Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema está em um ponto extremo da região de ocorrência da castanha-do-brasil . Atualmente, apenas  40 famílias, das 350 que vivem no local,  trabalham com o alimento e uma das peculiaridades da comunidade é o caráter coletivo da atividade, ou seja, 18 famílias se unem e fazem a coleta juntas para depois dividir a produção entre o grupo.  

“A vinda do pessoal da Embrapa foi muito importante, tanto para trabalhar as boas práticas de coleta, quanto para trazer essa devolutiva do preço de custo de produção. O estudo mostrou que, por enquanto, vale a pena fazer a coleta coletiva porque o produto está valorizado no mercado. Mas se os preços caírem, os custos de produção podem não ser cobertos com a venda da castanha na cidade”, afirma o analista do ICMBio, Tiago Juruá Ranzi.

 “A partir de agora nós vamos fazer a coleta sabendo o que pode render e o que pode trazer prejuízo”, afirma o extrativista Afonso Silva. Segundo o economista da Embrapa, Márcio Bayma, que fez o levantamento de custos, há várias despesas que, geralmente, não são computadas. “O principal insumo da atividade agrícola é o serviço que, em geral, não é contabilizado. Foi importante essa conversa, para eles perceberem isso e conhecerem toda a estrutura de custos. A tabela ficará com eles para que os preços sejam sempre atualizados”, afirma.

O encontro integra também a agenda de atividades do projeto MapCast, coordenado pela Embrapa, que reúne instituições parceiras no desenvolvimento de atividades com foco na caracterização das relações sociais e econômicas de sistemas de produção extrativista da castanha na Amazônia Brasileira. A pauta contou ainda com discussões sobre as boas práticas na coleta de castanha-do-brasil a fim de diminuir os riscos de contaminação por aflatoxina, substância cancerígena que surge a partir do fungo Aspergillus flavus, presente no solo.

Bem Diverso

O projeto Bem Diverso é uma parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A iniciativa desenvolve ações nos diferentes biomas do País e tem como principal objetivo conservar a biodiversidade brasileira e gerar renda para comunidades tradicionais e agricultores familiares.

 

Fonte original: Embrapa Acre

Priscila Viudes (Mtb 030/MS) 
Embrapa Acre 
acre.imprensa@embrapa.br 
Telefone:  (68) 3212-3250

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