Engajamento das comunidades tradicionais reforça desafio da conservação dos biomas

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Em evento temático em Brasília, representantes de povos tradicionais e consultores técnicos do Bem Diverso mostram a importância do envolvimento das comunidades para a manutenção dos biomas Amazônia, Caatinga e Cerrado, áreas de atuação do Projeto

No estande da Embrapa na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018 (SNCT) o público analisava, cheirava e olhava mais de perto os frutos, sementes e produtos da biodiversidade. De 15 a 21 de outubro, quem esteve em Brasília pôde visitar o espaço do Projeto Bem Diverso na feira e entender como as atividades realizadas por pequenos agricultores e jovens de comunidades tradicionais refletem não só no aprimoramento do extrativismo familiar, mas também são fundamentais para a conservação dos biomas brasileiros.

Uma das atividades da programação reuniu, em uma roda de conversa organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no estande Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), comunicadores populares do Território de Alto Rio Pardo (MG), estudantes, professores para compartilhar experiências bem-sucedidas no campo. Os jovens comunicadores Valdir Dias e Nina Ribas realizam oficinas de comunicação popular com jovens de sua região, e destacaram a relevância do olhar da comunidade para resgatar a beleza do Cerrado e a tradição de seus modos de vida.

“A comunicação interfere no nosso dia a dia. Muitas vezes, a grande mídia mostra uma imagem que não nos representa. A partir das oficinas estamos conseguindo quebrar esse estereótipo e mostrar nossa riqueza geraizeira”, defende Valdir. Os Geraizeiros habitam os chamados “Gerais”, região de chapadas do Cerrado norte-mineiro que cobre boa parte do Território Alto Rio Pardo. Este grupo tem forte ligação com a terra, manejando-a há séculos no extrativismo de produtos do Cerrado em uma colaboração mútua entre seus povoados na troca de plantas e de conhecimentos associados à natureza.

A identificação como Geraizeira só foi possível para a jovem Nina por meio das oficinas de comunicação. Após morar alguns anos em Belo Horizonte, ela retornou a sua comunidade em Taiobeiras, e “descobriu-se” representante do tradicional grupo mineiro. “A partir das oficinas há uma autovalorização e resgate cultural muito grande. A participação das mulheres e das crianças é essencial, pois eles são parte fundamental da lida do trabalho no campo”, empodera-se.

A importância de inserir as populações tradicionais em ações que visem a conservação dos recursos naturais nos Biomas Cerrado e Caatinga foi tema de palestra na SNCT. Na apresentação da consultora do Projeto em Alto Rio Pardo Juliana Loureiro, ela defendeu que o processo de conservação da biodiversidade pelo seu uso perpassa o engajamento das comunidades extrativistas, “afinal são eles os detentores dos conhecimentos tradicionais”.

Programação

A programação ainda contou com outras quatro palestras de consultores Bem Diverso nos territórios. O tema boas práticas de uso e de manejo da biodiversidade do Cerrado norte-mineiro foi apresentado por Nayara dos Santos Moreira, enquanto a importância do manejo sustentável de Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNMs) e de Sistemas Agroflorestais (SAFs) como estratégia para a conservação da biodiversidade do Bioma Caatinga ficou por conta de Victor Lima.

As demais apresentações abordaram os efeitos do extrativismo, manejo, uso da terra e fatores ambientais na persistência de populações de espécies arbóreas exploradas no Cerrado e a análise de um programa de restauração para a superação de desafios sociais, ambientais e econômicos. As palestras ficaram a cargo dos consultores Juliana Ferreira e Artur Sousa.

Segundo o Assessor Técnico do Bem Diverso Fernando Moretti, o Projeto está alinhado diretamente com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 15 - Vida Terrestre. “Por tratar temas relacionados ao uso sustentável nos Territórios, o Projeto Bem Diverso vai além do ODS 15, pois desenvolve atividades que permeiam outros objetivos", declara Moretti ao citar o ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável; ODS 5 – Igualdade de Gênero; ODS 6 – Água Potável e Saneamento; ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis.

Lara Aliano, Agência MOC

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