Emater e Embrapa capacitam extrativistas do Marajó para manejo de açaizais

compartilhar

Manejados corretamente, os açaizais nativos chegam a produzir até 50% mais depois de um período de estabilização, que dura em média quatro anos

Nos últimos 13 e 14 de dezembro, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) capacitou em Manejo de Açaizais 32 extrativistas de Anajás, no Marajó, pelo projeto Bem Diverso, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O projeto faz parte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e tem recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Manejados corretamente, os açaizais nativos chegam a produzir até 50% mais depois de um período de estabilização, que dura em média quatro anos, conforme os técnicos da Emater.

Tais extrativistas são das comunidades Luciana e Santa Luzia – dos quais 28 foram os mesmos que no dia 12 receberam crédito rural da linha Floresta do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) pela Emater e Banco da Amazônia. As turmas participaram de 16 horas de aulas práticas e teóricas no Sítio Boa Esperança, na Comunidade Santa Luzia, de propriedade do agricultor Eustáquio Martins.

As aulas foram ministradas em conjunto pelas equipes dos escritórios locais da Emater de Anajás e do município vizinho Afuá: o chefe do escritório local de Anajás, o engenheiro agrônomo José Nilton Pereira; a chefe do escritório local de Afuá, técnica em agropecuária Darcileide Corrêa; e o engenheiro agrônomo Alfredo Rosas, de Afuá.

“A ater [assistência técnica e extensão rural] florestal é uma premissa de todo trabalho que a Emater realiza atualmente no Marajó e envolve a compreensão de que a exploração racional e sustentável da floresta não só é possível, como necessária”, introduz Pereira.

De acordo com ele, “o manejo correto de várzea e baixo impacto ecológico, com foco no açaí, não só do açaí, como alguns extrativistas o fazem indiscriminadamente, eliminando outras espécies, assegura a sobrevivência da biodiversidade e evita o monocultivo do açaí, preservando o ecossistema e garantindo boa produtividade”.

No mais, “a derrubada aleatória de árvores grandes, por exemplo, como se fosse ‘manejo’, pode prejudicar irreversivelmente toda a área em volta. Manejo é proteger os produtos todos da floresta. O açaí faz parte de um conjunto de biodiversidade. Quando se maneja corretamente, asseguram-se os óleos essenciais, as plantas, tudo isso também tem um grande valor de mercado e uma importância para o ecossistema, como o muru-muru, a andiroba”, explica.

Os extrativistas receberam certificado e seguirão sendo acompanhados no sentido de instrução, com atualização contínua.

Aline Miranda, EMATER-PA