Curralinho (PA) e São Sebastião da Boa Vista (PA) recebem treinamentos em manejo de açaizais nativos

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Comunidades extrativistas de dois municípios localizados no arquipélago do Marajó recebem nesta e na próxima semana treinamentos em manejo de açaizais nativos.

Em Curralinho (PA), a capacitação ocorrerá de quarta (2) a sábado (5), na comunidade Três Bocas. Já em São Sebastião da Boa Vista (PA), o curso acontecerá de 7 a 10 de agosto, em uma comunidade do rio Pracuúba.

O Manejo de Mínimo Impacto para Produção de Frutos em Açaizais Nativos é uma tecnologia que permite aumentar em até três vezes a produção de frutos por meio do estabelecimento de uma proporção adequada entre açaizeiros e outras espécies florestais numa mesma área. Para o coordenador do curso, engenheiro florestal José Leite, da Embrapa Amazônia Oriental, além das exposições teóricas, parte fundamental do treinamento será a prática em campo. Na propriedade de um ribeirinho, será demarcada uma área de 2.500 m² para a intervenção de manejo e participantes vão escolher quais espécies serão removidas e quais seguirão fazendo companhia aos açaizais.

"A tecnologia consiste em atingir uma combinação adequada de árvores, açaizeiros e outras palmeiras, de forma bem distribuídas em uma área", afirma Leite. Segundo ele, onde o ribeirinho retirou as outras espécies e deixou somente o açaí, a produção é muito baixa. Uma das razões se deve ao fato de as raízes das palmeiras serem pouco profundas. "Os açaizeiros precisam que outras árvores com raízes mais profundas tragam os nutrientes das camadas que estão mais abaixo no solo. Por isso manter a biodiversidade é fundamental", explica Leite.

A recomendação da Embrapa é que em cada hectare seja mantida uma proporção próxima a 400 touceiras de açaizeiros, 50 palmeiras de outras espécies e 200 árvores. "Dessa forma, é possível elevar a produtividade média para até seis toneladas por hectare. Em áreas manejadas de forma inadequada, a média fica em torno de duas toneladas por hectare", afirma Leite. Além de aumentar a produção de frutos, o manejo de açaizais também proporciona a expansão do período de colheita.

Bem Diverso - As ações fazem parte do Projeto Bem Diverso, uma parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), com recursos de doação do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A iniciativa abrange ações em outros biomas do país e é liderada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O principal objetivo é conservar a biodiversidade brasileira e gerar renda para comunidades tradicionais e agricultores familiares.

No arquipélago do Marajó, a Embrapa Amazônia Oriental promoveu treinamentos ano passado nos municípios de Breves, São Sebastião da Boa Vista, Melgaço, Muaná e Cachoeira do Arari. Neste ano, Bagre e Curralinho também foram incluídos entre os beneficiários. As ações contam com a parceria da Emater-PA  e das secretarias municipais de agricultura.

As atividades do projeto Bem Diverso vão se estender até 2019. "A cada ano, as mesmas comunidades receberão outra edição do curso para avaliarem as áreas de açaizais que foram manejadas e receber orientações para novas intervenções", afirma o coordenador do projeto na região, pesquisador Raimundo Nonato Teixeira.

O projeto contempla ainda o estudo do comportamento de áreas de açaizais com diferentes graus de intervenção para serem comparadas com as áreas que sofrerão intervenções durante o treinamento. "Serão demarcadas áreas de açaizais que já existem em condições sem manejo e manejadas com baixa, média e alta intensidade para se estabelecer comparações", afirma Nonato.

Fonte da matéria: Embrapa Amazônia Oriental

Autor: Vinicius Soares Braga (MTb 12.416/RS) 
Embrapa Amazônia Oriental 
amazonia-oriental.imprensa@embrapa.br 
Telefone:  (91) 3204-1192

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