Bem Diverso realiza terceira fase de atividades de Mapeamento Participativo no Sertão do São Francisco

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Ações integram etapa do Projeto Cartografia Social de Agroecossistemas Tradicionais

Em mais uma etapa do Projeto Cartografia Social de Agroecossistemas Tradicionais, o Bem Diverso, articulado com instituições parceiras que compõe a Rede Territorial de Agroecologia do Sertão do São Francisco Baiano e Pernambucano, contribuiu na realização da terceira fase de oficinas e analises sobre Mapeamento Participativo no território tradicional Fundo de Pasto Angico do Dias. Esta etapa ocorreu nos dias 13 e 14 de setembro de 2019 na comunidade Baixão Novo e teve como foco o levantamento da agrobiodiversidade dos quintais produtivos e locais considerados pelos moradores como sendo patrimônio cultural e natural do território.

O Território de Angico dos Dias está situado no município de Campo Alegre de Lourdes (BA) a cerca de 400 km de Juazeiro (BA) e 70 km da sede do município. O território é composto por cinco comunidades: Angico dos Dias, Sitio Açu, Baixão Novo, Baixão Grande e Baixãozinho que fazem o uso comum das terras. Tendo em vista os diversos processos de interesse capitalista já instalados e outros especulados, as comunidades decidiram iniciar a construção da Cartografia Social de Agroecossistemas Tradicionais. O intuito é identificar a partir de eixos temáticos, características sociais que reafirmem argumentos territoriais de cada comunidade sobre sua pertença às terras. Nesse sentido, está sendo feito o georreferenciamento dessas características, para em seguida, serem inseridos em mapas construídos de forma participativa. Os dados georreferenciados, quando cruzados e correlacionados, possibilitaram elucidar o contexto histórico de ocupação e tradicionalidade do Território de Angico dos Dias (para uso em processos jurídicos). O processo de intervenção foi planejado tendo como orientação as metodologias participativas e o uso de mapas cartográficos.

O mapeamento encontra-se na terceira etapa, ao qual foi possível fazer a devolução do material cartográfico sobre as ameaças ao território como parte dos resultados das etapas anteriores, além, de complementar o levantamento já iniciado da agrobiodiversidade e destino dos alimentos produzidos nos quintais produtivos. Segundo o Edinei Dias Soares, presidente da Associação Fundo de Pasto Angico dos Dias, esses mapas servirão para que as comunidades possam criar estratégias que desarticulem os interesses capitalistas e para que também tornem-se público as ameaças que sondam ou que já causam problemas para as comunidades do território. “Eu vejo esse trabalho como sendo de muitíssima importância para nossas comunidades, ajuda na união e organização da luta contra os grileiros e as mineradoras que querem destruir a natureza do nosso território”.

As comunidades Tradicionais Fundo de Pasto são grupos centenários que ocupam a região semiárida da Bahia, vivem em territórios de uso comum e praticam a solidariedade na vida comunitária, as cercas existentes circundam apenas as casas familiares conjugados aos quintais e os pequenos roçados de plantio de sequeiro, o restante do território é utilizado para a criação de caprinos e ovinos, uma das características que os identificam como Comunidades de Fundo de Pasto. A convivência com o semiárido é um aspecto tradicional que contribui para a conservação através do uso sustentável da Caatinga promovendo a preservação da biodiversidade dos territórios ocupados.

 

Próximos passos

As ações seguintes estarão focadas na sistematização dos dados levantados na oficina e o georreferenciamento feito nos quintais produtivos para que na próxima etapa seja feito a validação ou não pelas comunidades. O mapeamento dos quintais, trarão, além do potencial da agrobiodiversidade neles existentes, a representação do destino do que é produzido e constatação da segurança alimentar e nutricional proporcionada pela produção de alimentos nos quintais. Tendo como objetivo a gestão territorial e autonomia das Comunidades Tradicionais de Fundo de Pasto.

Sobre o Bem Diverso

O projeto Bem Diverso é uma parceria entre a Embrapa, o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD) e o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

A iniciativa abrange ações em outros biomas do país e é liderada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O principal objetivo é conservar a biodiversidade brasileira e gerar renda para comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Texto: Diego Limaverde, estudante de Engenharia Agronômica colaborador do Projeto Bem Diverso.