Bem Diverso promove encontros técnicos para discutir “Inovação de Crédito na Área de Bioeconomia e Extrativismo Sustentável”

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O Projeto Embrapa Bem Diverso reuniu parceiros em dois encontros online para discutir políticas públicas e acesso ao crédito destinados aos agroextrativistas familiares dos seis territórios da cidadania onde atua. Os eventos realizados nos dias 22 e 26 de outubro reuniram representantes do Banco da Amazônia e do Banco do Nordeste, do Instituto Conexsus, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além de pesquisadores e técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e parceiros do Projeto.

Facilitar o acesso ao crédito e as políticas públicas que estimulem o desenvolvimento do agroextrativismo das famílias nos territórios de atuação do Projeto é um dos seus objetivos.

“O Bem Diverso trabalha com a sociobiodiversidade, ou seja, além das questões relacionadas ao meio ambiente, também nos preocupamos com a geração de renda para as famílias que nos ajudam no trabalho de restauração dos nossos biomas”, explicou o assessor técnico do Projeto, Fernando Moretti, que ao lado do Consultor Técnico de Acesso ao Crédito, Milton Nascimento, mediou os debates.

Segundo eles, para que essas famílias e as agroindústrias que trabalham com esses produtos da sociobiodiversidade tenham prosperidade financeira, é preciso orientação quanto às formas de acessar os créditos oferecidos pelas instituições financeiras e, também, quanto a utilização desses recursos. Da mesma forma, é importante que essas organizações conheçam as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa no âmbito do Bem Diverso e o que elas podem trazer de informação para fomentar ainda mais o crédito no meio rural.

O representante do Instituto Conexsus, João Luiz Guadagnin, também frisou a importância de orientação para o bom uso dos recursos. “Para as instituições financeiras, crédito bom é aquele que retorna para o banco. Portanto, quanto mais apoio, melhor for a pesquisa e a assistência técnica, maior é a segurança da unidade familiar e do agente financeiro”, explicou.

Segundo ele, os parceiros do Bem Diverso precisam ser orientados tanto no planejamento das atividades que fazem, quanto na utilização dos recursos e dos compromissos financeiros que assumem. Guadagnin reforçou ainda que, para que o crédito seja oportuno, adequado e suficiente, ele tem que chegar no momento certo, adequar-se a realidade do território e não ser maior ou menor que a necessidade das famílias.

Para que os representantes das instituições convidadas pudessem conhecer melhor o trabalho do Bem Diverso, o coordenador técnico do Projeto e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Anderson Sevilha, fez uma breve apresentação dos eixos de atuação do Projeto que envolvem a conservação, manejo e restauração dos agroecossistemas; o processamento e a comercialização de produtos oriundos do biodiversidade brasileira; e a promoção do acesso ao crédito e as políticas públicas existentes, com foco na geração de renda para o público atendido e promoção do uso sustentável da biodiversidade.

“O Projeto vem desenhado dentro desses eixos de atuação, num processo de formação de pessoal e desenvolvimento das capacidades locais, pensando nas comunidades, nos jovens, nas mulheres, nos técnicos e extensionistas. Trabalhamos com o conceito de desenvolvimento de capacidades locais para que essas comunidades se apropriem desses conhecimentos e das tecnologias desenvolvidas e, com isso, aumentar a produção em bases sustentáveis e a geração de renda dentro desses sistemas”, enfatizou Anderson Sevilha.

Durante os eventos, os representantes das instituições convidadas também tiveram a oportunidade de falar e apresentar as ações que estão sendo feitas nesse sentido. O gerente executivo do Banco Amazônia, Luiz Lourenço de Pessoa Neto, explicou aos participantes do primeiro encontro que os recursos destinados para o ano de 2020 foram de cerca de R$ 13 bilhões de reais, sendo R$ 9,9 bi de Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), R$ 2,6 bi de crédito comercial e R$ 500 mi de outras fontes e, a aplicação desses créditos, estão aumentando proporcionalmente.

Luiz Lourenço ressaltou que o Banco da Amazônia tem como compromisso a aplicação total do crédito. “Vai fazer cinco anos que recurso nenhum é devolvido para fundo. Tudo é aplicado e aplicado de maneira qualitativa, ou seja, com qualidade, com respeito a política socioambiental e sobretudo, com segurança”. Luiz Lourenço frisou que a instituição oferece atenção especial aos agroextrativistas que possuem consciência socioambiental. “A gente acredita que a mudança acontece apenas quando se trata na agricultura de base, de subsistência, de preservação da floresta, mas também com recursos econômicos. O grande segredo é conseguir potencializar esse negócio”.

E o representante do Banco do Nordeste, Reginaldo Silva, ao ser questionado sobre a viabilidade de crédito e a solicitação de garantias para pequenos agroextrativistas explicou que a instituição precisa seguir as regras do Financiamento do Nordeste (FNE) e atender o Manual do Crédito Rural. Entretanto, a partir desse contato com o Bem Diverso a intenção é analisar os casos e buscar facilitar esses acessos. 

“Estamos trabalhando com as demais áreas do Banco para atualizar os limites e dispensar a garantia real. Hoje, temos um limite que consideramos ser bem baixo e o nosso desejo é que ele seja ampliado para oportunizar acesso ao crédito a pequenos produtores”, afirmou Reginaldo.

Marco Pavarino, coordenador-geral de Extrativismo da Secretaria de agricultura familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) falou sobre os programas da pasta que podem ser acessados pelo público do Bem Diverso e fez uma ligação entre os temas “Desenvolvimento Regional” e “Bioeconomia”.

“Quais os elementos que conseguem unir esses dois grandes temas?”, questionou Pavarino. “O elemento importante de conexão é a Biodiversidade. Não é só ela, mas sim a Sociobiodiversidade. É associar a biodiversidade com o todo, o conhecimento tradicional e cultural desses biomas”, explicou o representante do MAPA. Ao final, Pavarino ressaltou ainda a importância da adesão dos bancos à nova linha de crédito, o Pronaf Bioeconomia, orientado para suprir as necessidades de crédito dos agroextrativistas e o desenvolvimento da bioeconomia no país.

 O Consultor Técnico de Acesso ao Crédito Milton Nascimento, espera que as instituições financeiras e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estejam ainda mais inteirados da importância do trabalho dos agroextrativistas familiares para a conservação e restauração do biomas brasileiros, bem como para a movimentação da economia local de suas regiões.

“Esses encontros vão propiciar um olhar dos agentes regionais desses bancos ao nosso público para que conheçam os territórios, procurem os agentes locais, façam diagnósticos e voltem esse olhar para a necessidade de crédito dessas famílias”, explicou Milton. Segundo ele, dados apontam que atuação do Bem Diverso nestes territórios promove a ampliação de 30% de renda às famílias dos agricultores familiares.

 Nos encontros, técnicos e pesquisadores da Embrapa e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que trabalham como pontos focais do Bem Diverso nos territórios atendidos pelo Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste, tiveram ainda a oportunidade de apresentar as espécies prioritárias com as quais o Projeto trabalha e as pesquisas e inovações desenvolvidas a partir delas.

Ao final dos encontros, seguiu-se um debate para esclarecimento de dúvidas e discussão sobre os gargalos e as oportunidades para o crédito voltado ao agroextrativismo, entre os mais de 120 participantes presentes nos dois encontros.