Agroextrativistas do Marajó participam de diagnóstico sobre bem estar e desenvolvimento na região

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No total serão promovidas seis oficinas em 18 assentamentos agroextrativistas de Afuá (PA) nos meses de março, abril e maio

Cerca de 300 agroextrativistas que atuam no manejo de açaizais, em ilhas do estuário amazônico (ponto de encontro entre o rio e o mar, entre os estados do Amapá e Pará), foram mobilizados para participar do diagnóstico participativo que resultará em indicadores “Bem Estar e Desenvolvimento” desta região. A proposição dos indicadores é feita através de oficinas realizadas pela equipe do projeto Bem Diverso. De acordo com a engenheira florestal pesquisadora Ana Euler, na última semana foi encerrada a primeira rodada de oficinas nas comunidades Nova Aliança e Bom Jesus nos Assentamentos Agroextrativistas Charapucu e Ilha do Carás, com a participação de produtores de outras comunidades das Ilhas Jurupari e Queimada, todas localizadas no município de Afuá (PA).

No total serão promovidas seis oficinas nos meses de março, abril e maio, com o objetivo de apresentar para as comunidades dos 18 assentamentos agroextrativistas de Afuá (esses representam cerca de 80% do território de Afuá) o projeto Bem Diverso, dialogar sobre as atividades relacionadas à safra do açaí e elaborar um diagnóstico rápido participativo da comunidade, construindo seus indicadores de Bem Estar e Desenvolvimento, levantando os principais problemas e discutindo quais são as propostas para superá-los. “O município de Afuá está entre os municípios que concentram a maior produção de açaí do Pará. A economia familiar é dependente deste produto florestal, que na última década vem proporcionando melhoria na renda e qualidade de vida da população no campo e na cidade. O projeto Bem Diverso aposta nesta cadeia produtiva como uma estratégia para promover o uso múltiplo sustentável e a conservação das florestas de várzea do Território do Marajó”, acrescentou a pesquisadora da Embrapa, que atua como facilitadora nas oficinas junto com o engenheiro florestal Carlos Augusto Ramos e jovens monitores extrativistas da região do Marajó.  

A equipe do projeto bem Diverso trabalha articulada com parceiros locais, entre eles o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afuá (STTR) e as associações comunitárias no fortalecimento da organização comunitária para o monitoramento da safra do açaí, a organização da produção e comercialização, o bom manejo e a qualidade do produto ofertado pelos produtores locais. Esses buscam melhores preços e mercados, além do acesso as políticas de assistência, crédito rural e compras públicas (PGPMBio, PAA, PNAE). Outros parceiros estratégicos são a Emater, o IdeflorBio e a Conab.

Projeto Bem Diverso

O Projeto Bem Diverso é executado em parceria entre a Embrapa, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O principal objetivo é a conservação da biodiversidade brasileira e a geração de renda para comunidades tradicionais e agricultores familiares.  O projeto atende seis Territórios da Cidadania em vários estados. No Estuário Amazônico (Amapá e Pará) o projeto é desenvolvido no Território da Cidadania do Marajó, com foco nas espécies açaí e andiroba.

O Projeto Bem Diverso foi iniciado em 2015 e tem duração prevista de cinco anos. Atuará em dois eixos principais: 1) desenvolvimento e promoção do uso de técnicas de manejo para extração e uso sustentável de produtos florestais não madeireiros e promoção de sistemas agroflorestais e 2) identificação dos gargalos financeiros e de mercado que comprometem o aumento da produção e da renda de comunidades agroextrativistas e agricultores familiares.

Números do Projeto Bem Diverso:

 - 3 Biomas

 - 6 Territórios da Cidadania

 - 12 Espécies Nativas

 - 13 Unidades da Embrapa

 - 8 Instituições Parceiras

 - Investimento de R$ 33 milhões

 

Dulcivânia Freitas, Embrapa Amapá 

Comunidades das Ilhas Jurupari e Queimada participaram da oficina

Comunidades das Ilhas Jurupari e Queimada participaram da oficina



Comunidades das Ilhas Jurupari e Queimada participaram da oficina © Divulgação