Agroextrativistas das Ilhas do Afuá debatem indicadores de desenvolvimento comunitário

compartilhar

Encontro contou com cerca de 150 extrativistas dos 18 assentamentos para debater indicadores de "bem viver"

Agricultores e extrativistas das Ilhas do Afuá, município do estuário amazônico, participaram no último sábado (7) do Encontro de Socialização e Debate dos Resultados do Diagnóstico Radar. Com cerca de 150 extrativistas dos 18 assentamentos de Afuá, localizado no Território da Cidadania (TC) Marajó, foram apresentados e discutimos os seus indicadores de “bem viver” e suas prioridades de investimento para o desenvolvimento local.

“Estamos completando um ciclo importante de consulta e diagnóstico. Os próximos passos são a definição de prioridades, estratégias, celebração de parcerias e compromissos para o crescimento da economia com distribuição de riqueza e benefícios para os produtores”, destaca Ana Euler, Engenheira Florestal pesquisadora da Embrapa e coordenadora do evento.

Entre as prioridades levantadas pelos participantes estiveram o ensino médio, a necessidade de construir oportunidades para manter a juventude no meio rural e diminuir os riscos sociais da gravidez precoce, além de debates sobre álcool e drogas ilícitas. Em segundo lugar, empatados, estiveram questões como postos de saúde, fossas sépticas e apoio à diversificação da produção. Finalmente, foram elencados temas de poupança e apoio contábil para criação e/ou regularização de associações e cooperativas.

O evento foi realizado na sede do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afuá (STTR), cidade conhecida como a “Veneza Marajora” devido ao grande número de canais e palafitas em seu território de 8.372 km² e à proximidade com a Ilha de Marajó. Estiveram presentes representantes da Emater-PA, do Banco da Amazônia (Basa), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Incra, Secretaria Do Patrimônio da União (SPU), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) e Câmara Municipal de Afuá. Uma realização da Embrapa Amapá e Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afuá.

 A programação foi promovida pela Embrapa Amapá por meio do Projeto Bem Diverso, uma parceria da Embrapa com o Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD) executado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O encontro também promoveu a reflexão sobre os indicadores de desenvolvimento comunitário, o nivelamento sobre as políticas de governo existentes e a proposição de estratégias e acordos institucionais para superação dos desafios produtivos.

Na Amazônia, o Projeto Bem Diverso tem realizado atividades de manejo florestal sustentável das áreas de várzea, monitoramento da safra do açaí e formação de jovens extrativistas. O projeto viabiliza também o diagnóstico socioeconômico, ambiental e dados sobre o acesso desta população às políticas públicas por meio de oficinas participativas que alcançaram 11 dos 17 Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAEs) existentes no município de Afuá.

 

Sobre o Bem Diverso

No TC Marajó, o Projeto Bem Diverso trabalha para a sustentabilidade da cadeia produtiva do açaí. Desde 2016, a Embrapa promove treinamentos em Manejo de Mínimo Impacto de Açaizais Nativos em parceria com a Emater – PA e as prefeituras municipais.

Até 2018, foram capacitadas 1.193 pessoas, entre técnicos e agentes multiplicadores, em diversos municípios. A parceria com a Emater – PA e comunidades também levou a tecnologia para 820 ribeirinhos. De forma complementar, foram ministrados ainda cursos sobre criação de abelhas sem ferrão para cerca de 300 pessoas. Esses insetos são polinizadores do açaizeiro e contribuem para a produção de frutos. Na região, o Bem Diverso elencou ainda a andiroba entre as espécies prioritárias para desenvolver ações de boas práticas para o extrativismo sustentável e acesso ao mercado.